Este sábado dormi em casa dos meus pais.
Desde que lá deixei de viver, há cerca de 4 anos, já lá dormi uma meia dúzia de vezes.
Vivi naquela casa desde os 13 anos, ali passei por fases fundamentais no meu crescimento e de todo o processo que fez de mim a pessoa que sou hoje.
Nunca senti urgência de lá sair.
Toda aquela casa, aquele espaço, que continuo a sentir como meu, é memória viva da minha vida e isso não tem, até agora, paralelo com nada.
Aquele é o espaço onde tenho mais vida vivida, onde sinto que as coisas têm todas um lugar, um espaço, um propósito, uma história.
Todas as semanas lá vou, mas nem sempre vou ao meu quarto.
Invariavelmente, sempre que lá entro a minha memória recupera uma série de sentimentos, histórias, um sem fim momentos lá vividos.
Este sábado não foi excepção. Quando fui dormir dei por mim, mais uma vez, a olhar à minha volta e a pensar em tudo o que já ali tinha passado.
A cama onde durante anos deitei os meus sonhos, as minhas dúvidas de adolescente, os meus medos, inseguranças, onde chorei desgostos terríveis (ou pelo menos assim os sentia na altura), onde dei gargalhadas sem fim com os meus irmãos, com amigos, tanta tanta coisa, recebe-me agora mulher, mãe, com outras dúvidas, medos e incertezas.
Agora a cama já não é só minha, o quarto já não é só meu. Divido-o com a família que construí. Para eles aquele espaço será apenas mais um espaço e o seu sono será certamente mais tranquilo que o meu quando lá estou.
Naquele quarto nunca me esqueço que a vida é cheia de pequenos momentos, pequenas conquistas.
Naquele quarto sei que nunca me faltará o colo dos meus pais e o abraço dos meus irmãos.
Naquele quarto nunca me esqueço de quem sou, de onde vim, como me tornei na mulher e mãe que sou hoje.
Adoro sentir que naquele quarto nunca estou sozinha mesmo que o esteja.
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