sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Maternidade

Sou mãe há sensivelmente 15 meses e paro muitas vezes para pensar como está a correr esta aventura.
Se estou à altura dos acontecimentos, se sou uma boa mãe, se estou a dar conta do recado se, se, se, …
Passado que está mais de um ano, posso dizer-vos que as primeiras semanas de Agosto/08 foram do caraças (perdoem-me a expressão), mas uso esta para não usar muitas outras pelas quais teria de pedir ainda mais desculpas.
E não me venham falar em magia ou amor à primeira vista, porque não vou nessa cantiga. Os primeiros dias em casa são duros e exigem uma grande ginástica e capacidade física e, sobretudo, mental…
Não é preciso ser muito inteligente para saber que, a partir do momento em que nos colocam o filho no colo, nada, nunca mais, será igual. E isto não tem nada de mágico… ou talvez até tenha, mas também tem muito de assustador e ainda a missa vai a metade.
Jamais esquecerei o momento em que pela primeira vez vi o meu filho.
Por muito que goste de palavras e as ache poderosas, não há nenhuma que defina o que uma mãe e um pai sentem naquele momento. É uma verdadeira overdose de sentimentos.
Mas ali naquele momento único eu não sabia o que estava para vir.
Ok, sabia que não ia dormir, que ia andar muito cansada, que podia vir a ter dores aqui e ali, mas o que ninguém me disse é que me ia tornar tão vulnerável e medrosa.
A nossa pessoa como a conhecíamos até ali muda, mas muda mesmo muito. Quer dizer, eu não posso falar por todas as mães do mundo, mas eu mudei mesmo muito.
Eu que adorava andar de avião, dei por mim de lágrima no olho na última viagem. E estava com ele ao colo. Sim, porque meter-me num avião sem ele acho que vai requerer bomba de oxigénio.
Notícia sobre acidentes, doenças e tudo o mais que envolva crianças ou suas mães pimba lá estou lavada em lágrimas.
Para os meus excelentíssimos amigos que estão a ler isto e a dizer que eu sempre fui chorona, acreditem que não é a mesma coisa.
Tenho medo do medo que sinto por uma série de coisas que antes não sentia. ( ai senhores!)
Tenho medo de lhe faltar, de não lhe chegar, de não o poder acompanhar, de não o poder guiar e, sobretudo, medo de não o ver crescer e tornar-se um grande homem, que um dia poderá vir a sentir tudo isto e muito mais.
Ser mãe é maravilhoso e eu adoro esta condição, mas garanto-vos que voltar a ser aquela «mariquinhas pé de salsa» dos tempos da escolinha não é a melhor coisa do mundo.
Mas pronto, acho que faz tudo parte do pacote…
Amo-te mais do que algum dia poderás imaginar.
E amo-te também a ti que me aturas e acalmas todos os medos.
Obrigada!

3 comentários:

  1. Foste e serás para sempre a 1ª de nós a passar por estes momentos e apesar de os partilharmos contigo, sabemos que não será a mesma coisa quando formos nós! Conto e contarei sempre com a tua sabedoria e amizade. adoro-te! beijos prima!
    Marta

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  2. Tens uma coragem tremenda, sabes? Porque tens os medos e enfrenta-os. Eu, nem me imagino com um filho nos braços. Só com muito ansiolitico em cima :-P Parabéns! Pela coragem e pela familia linda que estás a construir :)

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  3. Filhos



    Quando somos pais, tudo muda as nossas prioridades, as nossas vontades, os nossos horários, os medos aumentam.

    Aprendemos a lidar com a ideia que cada dia que passa é menos que os temos para nós.

    Mas o Amor muda, aprendemos a amar incondicionalmente, até só conhecíamos esta forma de amor porque fomos filhos, damos valor a quem nos embalou o berço.

    Percebemos porque tantas vezes nos contrariaram e nos disseram a palavra não, e conseguimos sentir no coração todos os apertos que outrora os nossos pais sentiram.

    Descobrimos de que massa, fomos feitos e orgulhamo-nos disso.

    Mas pensamos nós não é preciso ser tão rígido nem dizer tanta vez não, por isso corrigimos “erros” que julgamos ter sido cometidos em nós.

    Mas esta é apenas a tentativa de nos enganarmos e queremos acreditar que estamos a fazer melhor. Porque não houve erros, apenas os passamos a tratar como gostaríamos de ter sido tratados quando achávamos os nossos pais inquisidores e esquecemos que agora somos nós, os pais e é desse alto que temos de os olhar e encaminhar na vida, como um dia nos fizeram aqueles que também nos amam.

    O tempo passa, mas no nosso coração guardamos a imagem que mais nos alegra, a da inocência, da alegria, da vontade que tinham de nos abraçar e beijar sempre mesmo que nos deixassem a cara pegajosa de tanta lamechice, e dos abraços contastes, a meiguice e a doçura.

    Papá, mamã és o (a) mais lindo do mundo, tantas vezes ouvimos isto somos uns babados.

    E esquecemos que de facto os seus corpos crescem e as suas vontades mudam e já os aborrece os beijinhos e os abraços. Já sabem o que querem e estão convictos da razão, e agora é: ai fogo não me apetece beijos, já chega, (pai /mãe)

    É aqui que temos de tomar consciência que acabou o tempo de educa-los como gostaríamos de ter sido educados e transmitir – lhes o que verdadeiramente nos foi ensinado.

    Porque nós somos fruto de árvores que mesmo em tempos de seca nos fizeram crescer verdes e suculentos e quando fomos fruta tocada, houve sempre maneira de voltarmos a ser verdes e suculentos, e não foi preciso regar-nos todos os dias, nem semear a nossa volta só as sementes que nos interessavam.

    Se a nossa inocência passa e deles também. É um facto que temos de aceitar.

    Mas continua a ser nossa a decisão até onde lhes é permitido ir, as asas não tem de ser cortadas, temos é de os ensinar que o horizonte tem limites.

    Podemos sempre continuar a ter os seus rostos de inocência gravados no nosso coração, e olhar para eles e vê-los assim, só desta forma o nosso olhar lhes transmite o amor que precisam sentir sempre que temos o dever de os repreender e de lhes dizer, não. Eles são o nosso ouro e para que brilhe, á que saber poli-lo e não são necessários acessórios para o lustre.



    Os pais amam, protegem, morrem pelos filhos, mas os filhos retribuem com, carácter, dignidade, honestidade.

    Tornando-se assim a geração seguinte, a que vai perceber que afinal há limites, há regras, sem nunca faltar o amor.



    “Aquele que dá o pão, dá a educação”

    (Não sei de quem é esta frase)

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